LexGPT vs. Harvey

Harvey propõe organizar o trabalho de grandes equipes. Onde a suíte brasileira do LexGPT pode ajudar, o que os relatos de preço esclarecem e quando vale combinar ferramentas.

Para um escritório que trabalha com contratos de várias jurisdições, equipes numerosas e um acervo próprio de documentos, a compra de uma IA envolve muito mais que a resposta a uma pergunta. Importa como a pesquisa chega à minuta, como os colegas compartilham o trabalho e como o conhecimento da banca continua disponível no próximo caso. É nesse tipo de decisão que a proposta de Harvey faz sentido.

O LexGPT entra nessa conversa como uma suíte de produtividade voltada ao direito brasileiro: jurisprudência, legislação e escrita são fases de um mesmo trabalho. A ideia é acompanhar a questão até o documento, com as fontes à mão. Ainda estamos construindo esse percurso e precisamos reconhecer a distância entre essa direção de produto e a maturidade de uma plataforma como Harvey.

Atualização de 21/10/2026: o lançamento de Intake amplia a discussão para a forma como os pedidos entram no jurídico da empresa. Na análise dos produtos Intake de Harvey e Legora, explicamos a proposta, os limites de disponibilidade e como testar o fluxo completo.

O valor de Harvey aparece no trabalho do escritório

Um exemplo é o relato de Barros & Errázuriz, publicado pelo próprio Harvey. Andrés Rodríguez descreve uma adoção que combina treinamento, trabalho no Word e consulta ao conhecimento interno da banca. Como depoimento comercial de um cliente, o caso não mede a experiência de todos os escritórios, mas mostra uma razão consistente para contratar: aproximar a IA dos documentos e dos processos que a equipe já utiliza.

Uma experiência individual ajuda a enxergar as diferenças dentro do produto. Ao escrever sobre documentos de fundos, Shahrukh Khan valorizou o Vault para localizar e comparar cláusulas, mas achou menos útil a análise de alterações em certas tarefas. O relato é anterior à nossa pesquisa e não identifica plano ou modelo. A lição que ele oferece ao comprador é boa: encontrar uma cláusula e julgar a importância de sua alteração são trabalhos diferentes, e vale observar os dois durante a avaliação.

Para competir nesse cenário, o LexGPT teria de demonstrar o mesmo fluxo no ambiente do cliente. Sua especialização brasileira, sozinha, não substitui colaboração, integração e uma implantação bem resolvida.

Harvey já olha para o Brasil

Há um ponto que precisa ser tratado com franqueza: Harvey documenta acesso a fontes brasileiras. O catálogo de setembro de 2025 incluía decisões do STJ. Em junho de 2026, a integração com a Tirant acrescentou conteúdo de jurisdições que incluem o Brasil, em categorias como legislação, jurisprudência e doutrina. Um comprador brasileiro tem motivos para investigar essa oferta.

O trabalho que permanece é entrar no detalhe. A contratação dá acesso ao tema de repercussão geral, à tese de um repetitivo, à situação de uma súmula e ao dispositivo do regimento? Como esses materiais são atualizados e apresentados na resposta? As páginas consultadas não permitem fechar esse mapa por plano. Isso deixa uma pergunta para a demonstração, sem autorizar a conclusão de que Harvey não tem acesso às fontes.

O LexGPT tem bases próprias de repercussão geral do STF, precedentes qualificados do STJ, incluindo repetitivos, e súmulas do STF, comuns e vinculantes, e do STJ. O acervo de jurisprudência e decisões administrativas abrange STJ, TJDFT, CVM, CRSFN e CRSNSP. A legislação tem o Senado como fonte, e o Regimento Interno do STJ vem da BDJur; o do STF não foi encontrado no acervo servido.

Essa lista delimita nossa proposta. Os temas do STF não equivalem a todos os julgados do tribunal, e a cobertura histórica e a representação dos documentos variam. CVM e os conselhos importam sobretudo para trabalhos regulatórios. Coleções privadas dependem do material do escritório e de suas permissões. O ponto de comparação é quanto esse conjunto ajuda na tarefa, com fontes que possam ser conferidas, como explicamos em de onde vem a jurisprudência que a IA cita.

Escolha de modelos existe dos dois lados

Harvey explica sua arquitetura com múltiplos modelos e permite que o usuário escolha entre opções disponibilizadas pela organização. Esse mérito deve entrar na comparação. Escolher um LLM não é exclusividade do LexGPT.

A particularidade do LexGPT que merece atenção é combinar a seleção de modelos habilitados com BYOK: o cliente pode usar sua própria chave de API nos fluxos suportados. Não encontramos uma oferta equivalente de chave própria suficientemente descrita nas páginas de Harvey consultadas. Para uma banca que considera isso importante, é um ponto a esclarecer na proposta.

BYOK oferece controle sobre a contratação do modelo, mas mantém duas cobranças: a do provedor e a taxa do LexGPT, equivalente a 40% do custo de tokens calculado pela plataforma. O cálculo usa as tarifas e a cotação homologadas pelo LexGPT. Os créditos BYOK são saldo pré-pago para essa taxa; quando acabam, é preciso recarregar para voltar a usar os modelos externos. Também mantém a necessidade de avaliar como os documentos serão tratados. O texto sobre esse modelo de negócio ajuda a decidir se o controle adicional compensa a gestão que ele exige.

Quanto custa Harvey? Há referências, mas não uma tabela única

Nas páginas oficiais consultadas, não encontramos uma tabela suficiente para cotar o escritório. A pesquisa em fóruns, porém, trouxe referências que ajudam a preparar a conversa comercial.

Em 16/06/2026, o usuário RuderAwakening relatou uma proposta de 300 dólares por usuário/mês para uma organização com cerca de 50 usuários, antes de negociação. Em outro relato, de 04/02/2026, tulumtimes2425 descreveu cotações de 1.200 dólares por usuário/mês, 2.400 com integração Lexis e uma opção posterior de aproximadamente 399 dólares, com escopo menos claro.

São preços relatados por usuários, não confirmados pelo fornecedor. Os autores usam pseudônimos, os contratos não foram apresentados e faltam detalhes de prazo, tributos e serviços; o primeiro não informa o país da contratação. A disparidade recomenda perguntar o que cada proposta inclui, em vez de transformar esses relatos em uma faixa de preço garantida.

Do lado do LexGPT, a oferta pública, conferida em 29/09/2026, oferece Equipes por R$ 600 mensais, com até 5 usuários ativos, e Enterprise por R$ 6.000, com até 50 no plano inicial. As faixas mensais de prioridade normal do LexGPT-5 são de 50 milhões de tokens compartilhados no Equipes e 500 milhões no Enterprise, seguidas de prioridade reduzida para uso humano e profissional. Tokens incluem o texto das perguntas, instruções, documentos e respostas; o volume de trabalho altera o consumo. Implantação e módulos sob medida são separados, assim como os encargos de BYOK quando utilizado. Essas referências permitem preparar um orçamento; não demonstram equivalência de serviços nem uma economia calculada.

Onde faz sentido colocar cada um

Se o objetivo é organizar o uso de IA em várias áreas, jurisdições e equipes, Harvey tem uma proposta que merece uma avaliação séria. Vale começar pela etapa mais cara ou repetitiva do escritório: comparar contratos, reutilizar conhecimento interno ou levar a análise até o documento. A demonstração precisa chegar ao resultado que alguém efetivamente usará.

O LexGPT merece entrar quando existe uma necessidade brasileira específica ainda sem atendimento adequado, ou quando a gestão de modelos por chave própria faz diferença. Nosso Enterprise também é o caminho para discutir conectores customizados. Eles dependem de viabilidade, permissões, implantação e manutenção contratadas; um projeto futuro não deve ser contado como uma integração já entregue.

Há espaço para uma combinação: Harvey nos fluxos documentais e organizacionais em que demonstrar valor, LexGPT no percurso entre fontes brasileiras e escrita. Se Harvey já atende bem a esse trabalho, a segunda assinatura terá de encontrar outra justificativa. Para uma demanda mais restrita, o LexGPT também pode bastar.

Essa escolha não exige concentrar tudo no LexGPT. Você pode copiar os acórdãos da pesquisa e continuar no seu editor ou no ChatGPT, se o ambiente que já usa for mais conveniente ou econômico para aquele volume de material. A cópia reúne as ementas ou trechos disponíveis e os dados dos julgados, sem prometer o inteiro teor de todos eles. O valor do LexGPT também pode estar em preparar bem o material que seguirá para outra ferramenta.

É assim que pretendemos fazê-lo crescer: atendendo demandas brasileiras que continuem mal resolvidas nas soluções disponíveis, inclusive estrangeiras. A melhor decisão hoje depende do que funciona para o escritório, com o custo e o trabalho de revisão à vista. O guia de compra de IA jurídica ajuda a preparar essa comparação.


Nota editorial: análise da equipe LexGPT, com fontes consultadas em 29/09/2026. Reunimos documentação, relatos externos e a conferência das bases servidas pelo LexGPT; não fizemos um teste comparativo das respostas. Os relatos de Khan e de Barros & Errázuriz não exibiam data exata ou condições completas de avaliação nas páginas lidas; o segundo é material comercial do fornecedor. Não encontramos uma avaliação externa substantiva do LexGPT para essas tarefas. Valores de fóruns são referências históricas, não propostas para o Brasil.

Experimente o LexGPT no seu trabalho.

Pesquise jurisprudência no Juris e confira as fontes que sustentam a resposta. Consulte os planos para escolher como usar o LexGPT.

O LexGPT está em beta.